uso letras e palavras
este o meu grande ofício
que mais dia menos dia
aprendo ainda que lento

entre tantas outras coisas
aprendo a vencer o medo
que submisso e maltrapilho
se esconde em segredo

aprendo também a liberar
a minha verve de intérprete
dos desvãos deste mundo
colossal descrente corcunda

aprendo a vencer a inércia
uma das leis naturais
que obstrui-me a fala
desde tempos imemoriais

aprendo que não sou sisudo
nem tão pouco um homem mudo
que minha fala é ardente
que ilumina como um archote

as trovas que serpenteiam sem nexo
se jactam se proclamam com ar
absoluto ser a mais suprema quimera
que já andou por este mundo

aprendo que em minha imperfeição
que me acompanha passo a passo
significo algo pro mundo
sou único perplexo e pergunto

a este imenso universo
quanta verdade existe
em cada átomo de dor
na bruma eterna que ronda

sei que muitos se dizem felizes
e não apreciam nada triste
cuidam do seu corpo saudável
adquirem mansões e lustrosos carros

não param para refletir argüir
o sentido das suas vidas
se sua alma está sã
se seu coração ainda vive de fato

este é sem dúvida um fato
que eu poeta humilde
constato e aponto no ato
e continuo o meu ofício

de a estas horas mortas
dar tantos tratos a bola
de amar estes meus versos
de buscar mesmo no ocaso
que nesta hora é quase nascente

Abilio Terra Junior
19/04/2010


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