O Mar não está pra Peixe

Abilio Terra Junior


Espaço aberto para todos, a rede mundial de computadores não discrimina
ninguém. O Silvio Santos já anuncia aos quatro ventos que, associado ao Bill
Gates, pretende financiar, a preços módicos, a venda de computadores às
classes sociais menos favorecidas. Com os aperfeiçoamentos tecnológicos que,
a todo instante, surgem na área da informática, a tendência é a de que em
relativamente pouco tempo o computador se torne tão acessível e popular
como, por exemplo, os aparelhos de TV o são hoje em dia. Portanto, na
maioria das famílias, deverá haver, pelo menos, um computador, o que
representa uma rede, e também, um mercado de milhões de pessoas, e de
consumidores. As empresas que despontaram a todo vapor, diretamente ligadas
à informática, no entanto, em muitos casos, pereceram, demonstrando que a
rapidez e a fluidez da "rede" funcionam tanto em um sentido quanto em outro:
tanto é fácil ganhar como perder dinheiro, em curto espaço de tempo.

A Internet tem um brilho e um fascínio extraordinários, que conquistam a
maioria das pessoas. O fato de qualquer um, independente de idade, sexo,
classe social, profissão, poder frente ao seu micro, percorrer os mais
diversos itinerários via Web, literatura, esportes, lazer etc, e contatar
com pessoas próximas ou distantes, até do outro lado do mundo, e conversar,
namorar, comprar, vender, estudar, escrever, é de fato extremamente
atraente.

Surgem também muitas oportunidades profissionais com a Internet, e os cursos
se multiplicam, e muitos conseguem se realizar em um mercado amplo e
promissor.

Uma das mais novas empresas de aviação no mercado consegue custos bem mais
baixos que as concorrentes, utilizando em larga escala os recursos da
Internet, em lugar de mão de obra alocada em pontos de venda, tornando-se,
assim, muito competitiva.

Na área literária, autores que lutavam com imensas dificuldades para
conseguirem publicar os seus livros em formato impresso, encontraram novas
perspectivas por meio dos "e-books", os livros virtuais, que, a um custo bem
inferior, são oferecidos a milhares de leitores nos sites especializados.

Muitos internautas varam as madrugadas nas salas de chat, em conversas,
paqueras, namoros; casais já se formaram através desses relacionamentos
virtuais.

Mas... o perigo ronda a "Net"! Os vírus proliferam, a cada dia mais
perigosos. Os hackers atacam, não só produzindo vírus letais, como
penetrando nas pretensas "muralhas cibernéticas", para espanto dos
profissionais da área: bancos, órgãos do governo, empresas públicas e
privadas, sites, contas individuais, cartões de crédito... Uma empresa
sofisticada de assessoria em segurança de informática teve os seus dados
sigilosos violados, recentemente!

Tão virulenta quanto os vírus e hackers, entretanto, são as ações daqueles
que, mal intencionados, se utilizam do democrático espaço virtual para
prejudicarem desavisados autores e internautas. Muitos se apropriam de
textos, desenhos, trabalhos de arte dos webdesigners, alguns inocentemente,
outros, no entanto, por desonestidade, e ainda se proclamam os autores das
obras!

Com o fim de combater tais ações indébitas, desenvolve-se atualmente uma
campanha destinada a defender o espaço sagrado de cada autor. Cogita-se até
mesmo de se conseguir que a Fundação Biblioteca Nacional estabeleça um meio
de o próprio autor registrar a sua obra, diretamente, via Internet, no
Escritório de Direitos Autorais (EDA/FBN), com total segurança e garantia:
seria de fato a situação ideal.

Outros também se aproveitam da "rede" para agredir e caluniar, com ameaças
veladas, autores indefesos que colocam os seus textos em listas/grupos e
sites. Volta e meia, surgem queixas de autores que nada mais desejavam que
estabelecer trocas de conhecimento e experiência com outros, e, dessa forma,
crescerem em sua técnica e em seu talento. Mas, surpreendem-se com a
hostilidade e a arrogância de pessoas ou grupos com visão tacanha,
intolerante e provinciana, que lhes frustram em suas melhores expectativas.

Algumas vezes o internauta pensa estar iniciando uma amizade, quando, na
verdade, está frente a um autêntico "inimigo virtual" que, depois, o
caluniará virulentamente, escondido por trás de mais de um endereço
eletrônico, usando diversas "caras virtuais", como um camaleão/hiena
degenerado, insano e doentio.

E, culminando nessa "escalada infernal", os pervertidos que trocam entre si
fotografias e vídeos com crianças sendo usadas sexualmente!

E, ainda, os crimes fatais daqueles criminosos que atraem as suas indefesas
vítimas, com atraentes promessas amorosas, para armadilhas, das quais nem
sempre estas sairão com vida, despojadas dos seus bens e da sua dignidade.
Até filmes já foram produzidos sob esse tema, como "Vítimas da Internet",
exibido recentemente no Telecine Premium (Net).

A Internet, com todos os seus imensos vícios e virtudes, é, sem dúvida, a
marca registrada desse nosso mundo do século XXI, vertiginoso, globalizado,
dominado pela mídia, com imensos avanços tecnológicos que convivem com
graves problemas sociais. Um mundo dos grandes astros e estrelas do cinema,
da TV, do futebol, mais famosos do que os vencedores do Prêmio Nobel. Um
mundo da nudez escancarada, dos seios de silicone, das "divas" "saradas",
"turbinadas", das cenas de sexo na TV assistidas por crianças e
adolescentes, das mães adolescentes aos milhares apesar das "camisinhas"
estarem a disposição em qualquer drogaria da esquina e da informação sexual
aparentemente aberta e disseminada... das vendas de órgãos humanos, do
tráfico de crianças, mulheres e drogas...

É o nosso mundo, louco mundo, dos emergentes, dos indigentes, dos
delinqüentes, enfim... dos sobreviventes.

*******

Triste Sina

Abilio Terra Junior

Nas terras brasilis espanta-se a íris
desde Gregório de Mattos, que gritava
aos quatro ventos os desmandos dos prepotentes.
Triste sina a nossa: será uma praga?
Por terem matado tantos escravos
com flagelos e suplícios inomináveis,
dizimado milhões de índios ligados à Natureza, nossa mãe,
cometido tantos crimes contra os desvalidos?

É difícil a gente rir de tanta desgraça...
mas nós gostamos de rir e de fingir
que a situação não é tão ruim...
e que um dia... um dia... vai melhorar...
Enquanto isso... ACM e Arruda falam, falam...
mas não convencem nem ao mais inocente...
Deputados apressados retiram assinaturas
debaixo da coação da "tropa de choque" do FHC
ou de verbas liberadas do orçamento
com o fim explícito de evitar a "CPI da corrupção"...
ô mundo cão!
E a ética, e a nossa cara (somos palhaços?) diante do mundo?

Pasmos, aparvalhados, nós, cidadãos de um país grande/anão
giramos que nem perus em nossa frustração...
e nos preparamos para o apagão (a última novidade em nossa decepção)
se a situação já preta está, imagine então... com o apagão!
Se já não há segurança para o cidadão...
imagine com o apagão!

A corrupção espalha-se em todos os escalões
municipais, estaduais, federais,
impostos aumentam, água, luz, telefone, gasolina...
lista interminável...a nossa dívida nunca termina,
estradas sem segurança, cidades sem segurança,
mendigos por todo lado,
o tráfico mata sem pena,
que mais? Triste sina...

O funk baixa o nivel a um ponto inconcebível
retrata bem "o nível" em que estamos
na terra brasilis;
nós, cidadãos sem direitos
(a não ser o de pagar nossos impostos)
e esperar que... um dia nossa terra, nossa gente,
seja realmente independente, livre,
no contexto das nações!

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JK

Abilio Terra Junior

Li a carta-resposta de Palmerinda Donato, em desagravo à ilustre figura de JK, Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Escrevi uma mensagem de apoio e lhe enviei. Mas não poderia deixar de expor publicamente o meu irrestrito apoio à sua posição de solidariedade a JK.
JK foi um menino pobre, nascido em Diamantina-MG, filho de uma abnegada professora. Com uma inteligência brilhante, formou-se em Medicina. Dedicou-se depois à política: prefeito de Belo Horizonte (construiu a Pampulha, cartão-postal de Belo Horizonte, com a Igreja de S. Francisco de Assis, com suas ousadas linhas e as pinturas de Portinari), governador de Minas Gerais, foi alçado à presidência da República pelo voto do povo.
Com uma visão extraordinariamente aguçada, trouxe a indústria automobilística para o nosso país, até então, um mero fornecedor de matérias-primas para os países industrializados.

Acordou "o gigante adormecido", industrializando-o, dinamizando-o, planejando. As artes floresceram, respirava-se liberdade, a nossa música se expandiu. Enfrentou o Fundo Monetário Internacional-FMI, cancelando o acordo entre o Governo Brasileiro e esse órgão.
Decidiu tornar realidade o sonho de Dom Bosco, criando em pleno Planalto Central, Brasília, a nova capital do país, em lugar do Rio de Janeiro, até então a nossa capital.
Para isso, teve que resgatar todo o seu ânimo e fibra das profundezas da sua alma. Enfrentou uma oposição ferrenha, pois feriu inúmeros interesses, que desejavam a permanência da capital federal no Rio de Janeiro.
Ofereceu inúmeras facilidades para que os funcionários públicos trocassem o sol, as praias, as belezas, do Rio pela aridez, o desconforto, de Brasília. Os "candangos", os peões de obras, surgiram em massa, principalmente das regiões nordestinas para emprestarem o seu esforço à construção da nova capital. E ali, onde só existia a vegetação do cerrado, foi sendo levantada, em um ritmo veloz, bem de acordo com o dinamismo da alma e da mente pujante de JK, edifícios que se destacavam pelas suas linhas arrojadas, em uma cidade com um traçado inteiramente original. Como um imenso avião, com seu bojo, e suas asas, que surgisse das mentes visionárias de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, e pousasse, belo e atrevido, naquela planalto árido e inóspito.
Durante a construção, era comum, pela manhã, os "candangos" toparem com aquele homem simpático, sorridente, simples e inteligente, JK, que com eles conversava com prazer e interesse, transmitindo-lhes coragem para enfrentar os desafios diários, com a sua presença carismática e marcante.


Brasília, assim como a industrialização que se iniciava, mudou definitivamente o rumo do desenvolvimento econômico e social do Brasil.
Trouxe o espírito desenvolvimentista de JK para o interior do país, até então, abandonado, esquecido e desprezado pelas nossas líderanças políticos e empresariais.
Até aquela época, vivíamos que nem caranguejos, arranhando as areias das nossas praias.
Com a construção de Brasília, e a conseqüente transferência de todo o aparato administrativo e político para ela, os olhos e os interesses de todos se voltaram para o interior do nosso imenso país. O interior começou a se desenvolver, de uma forma, até então, impossível de suceder, e de se crer.
O que teria acontecido se Brasília não tivesse sido construída, graças à visão, coragem e ousadia de JK?

Não é difícil de se imaginar... o nosso imenso e rico interior, abandonado e pobre, seria presa fácil de interesses exógenos, que, direta ou indiretamente o dominariam, econômicamente.
Depois, vieram os "anos de chumbo", que, quem conhece a nossa história, sabe do que estou dizendo: JK foi perseguido, humilhado, submetido a todo o tipo de constrangimentos; impedido de se submeter ao voto daqueles que tanto o admiravam. Pois, sem dúvida, seria novamente eleito, com expressiva votação, a qualquer cargo para o qual se candidatasse, tal o carisma que exercia sobre a maioria dos cidadãos brasileiros.
A maior prova desse carisma ocorreu no seu enterro, que provocou intensa comoção popular em todo o Brasil.


Ninguém conseguirá apagar as realizações de JK, que para sempre marcaram o nosso povo, o nosso país, a nossa cultura, a nossa economia, a nossa sociedade. Digam o que disserem, acobertados pelos mais excusos interesses.
Infelizmente, muitos não sabem quem foi esse grande lider brasileiro. E, ainda por cima, procuram conspurcar a sua imagem perante as novas gerações. Pobre país... sem memória, esquecido de um dos seus maiores políticos e realizadores.
As novas gerações precisam conhecer JK, salvar a sua imagem do ostracismo e da calúnia vil. E se inspirar no seu exemplo, na sua bravura, no seu otimismo, na sua inteligência. Nos anos JK, que mudaram para sempre a face e a alma do Brasil!

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PACÍFICO RETORNO

Abilio Terra Junior

 

Nas procelas, muita luta interna,
abstratas filosofias tudo negam,
sem pão, meditação,
deslizando: branco piso traços negros se cruzam.
Na tormenta, infância perturbada violada corrompida
juventude suicida destruída escondida
usurpada do seu maior bem.
Aparecida - N. Sra. nos salve!
Perdidos estamos, subitamente topamos
com tranqüila tarde
que nada nos pede nem promete.
Na corredeira, na ribanceira, nos deparamos
com a luz divina, repentina, nos observando.
A sorridente bancária nos salva a pátria.
A vendedora da lotérica
vestibulanda de medicina
obstinada luta idealizando
seu grande prêmio no futuro
positiva acreditando
em sua vida, em seu destino,
com fibra vence sua batalha!
Tarde morna tranqüila
sinto-me refeito, recompensado,
ondulando a tarde se escoa,
sinto pacífico retorno a mim mesmo
como se nada devesse
a quem quer que seja...

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MANIFESTO

Abilio Terra Junior

Manifesto/ideário proclamador da libertação da conjunção simplista-minimalista-corporativista-egóica-pasmária-burguesa (com certeza).

Despe-se a forma do conteúdo forma sem conteúdo.

Proposição: não se pode alcançar a verdade, a profundidade ontológica - então abandona-se à forma - a forma pela forma - o objeto, a forma - sem alma, seca, lúdica - o objeto pelo objeto - o momento pelo momento amparada pelo grupo a poesia burguesa afivela a cinta, e o cinto a geração pós-transformação militar-institucional-corporativista-Brasil Potência: Itaipú, usina nuclear Angra dos Reis, projetos megalomaníacos que nos reduziram, junto a tantos outros fatores endógenos e exógenos, ao beco sem saída em que nos encontramos - falência institucionalizada de liderança, da ética, do espírito reduzidos a robôs corporativistas que nada enxergam além do próprio umbigo, esquecidos das próprias origens, dos grandes líderes ou pensadores do passado /corte/ ego supra-normal, aparência total-global, estereotipada, e cultivada em cirurgias estéticas ou malhações diárias contumazes individualidade confundida com individualismo não se aprofunda - então, se corta secamente o aprofundamento ou qualquer sinal, significado ou menção deste medo de se aprofundar ficar na superfícial estética "clean" da mídia.

Exemplos:

moças "saradas" que vendem seu corpo apenas para "cavarem" $$$, com o fim de comprarem supérfluos objetos do desejo - procuram a analista, mas nem sequer têm problemas autênticos, tão vazias são (depoimento de uma psicóloga) defendem o grupo corporativista, confundido com a própria mãe, pois não possuem sua própria individualidade coesa e constituída dentro do contexto "global" se perdem os parâmetros caráter, indivíduo, ser, gente, pessoa - tudo se amalgama em um todo grotesco parcializado: cabeça no G8 (EUA, países europeus etc), membros inferiores nos países periféricos, perdidos e entregues à sanha selvagem daquela mesma "elite" de sempre: dilapidora do patrimônio público e entreguista e nesse "jogo vale-tudo", os valores se invertem, e nada mais importa a não ser a defesa do próprio umbigo, implícito aí o grupo corporativista, sem o qual nem o próprio umbigo existe modas, modismos, modelos ???

Nada se sustenta se não se apoiar nessa tríade boquirrota pseudo-cosmopolita-burguesa, ao lado da favela que despenca em sua cabeça, e da sua pseudo-moral, constrangida pela filha "turbinada", "esclarecida", que, no entanto, nas madrugadas se prostitui na av. Beira Mar ou na rua Major Sertório, ou nas bacanais em apartamentos luxuosos dos condomínios fechados, com vigilância ostensiva e intensiva

E assim caminha... a humanidade... plena de vaidade... em sua precariedade...

 

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NOITE COM BRISA

Abilio Terra Junior


Apenas poucas palavras

pronuncio na entrada do castelo

de úmida penumbra

Quem sou eu

estapafúrdio leviatã

ela me enternece

bela circunspecta

Sons guturais

do meu cansaço

timbres leves

ela gorjeia para mim

Levanto minhas mãos

simulo premência

ela ausculta-me

com seus belos olhos

Em tempos típicos

sou eu com minha sombra

nem ela percebe

meu vulto a esquadrinhá-la

Subo a montanha

da minha treva

a tarde dela

serena me completa

Noite com brisa

suave

passeamos nos sonhos

das nuvens românticas

*******

OH, APOLLO!

Abilio Terra Junior


Oh, Apollo!

A ilha de Delos

onde nascestes

jaz abandonada

O vosso santuário

destruído

colunas entre

flores silvestres

A vossa estátua

tombou

o vosso tronco

perde seus contornos

No vento e no silêncio

da noite

vozes de sacerdotes

celebram rituais

Coros das virgens

do templo

cantam sagradas

melopéias

Oh, deus

da verdade

da luz

da cura

Vos peço

a poesia

jorre

em mim

plena!

*******

PEDRA DORIDA

Abilio Terra Junio

A pedra dorida
suave esconde
a lua e suas cismas

À guisa de encontro
sentamos nela
de mãos dadas

A brisa encapela
seus seios
sonda seus cabelos

Ronda nossa pele
à espera
do momento exato

De nos rodopiar
no êxtase sensual
dos apaixonados!

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