soldados do bem se contradizem
batem com estrépito nas alvas colunas
suam como loucos dentro das suas armaduras
coceiras tomam suas pernas como formigas

impávidos nas suas tertúlias sorriem
com zelo e se entreolham como bonecos
negros que nunca viram a luz
suas mortalhas os esperam do outro lado
do grande rio caudaloso que leva
carnes podres e caveiras que brilham

esqueceram-se dos seus juramentos
e de quantas donzelas estupraram
ao longo das muitas jornadas
conduzidos pela bandeira vermelha
em forma de cruz

galopam nos seus corcéis negros
em direção ao além
mergulham nos lodos podres
junto a víboras que deles sorriem

a estrela da manhã brilha nas suas retinas
atravessam florestas com árvores de pedra
e toparam com monstros do mar nas suas caravelas
soaram suas trombetas nos castelos dos sultões

percebem o vazio que os rodeia por dentro e por fora
sua busca é inútil e perdulária
mas não podem voltar
pois a morte é seu destino

a buscam com sofreguidão
a loucura é sua companheira
decapitaram mulheres que a eles
não se entregaram e aos seus filhos
pais de família velhos e velhas

mas tudo podem tudo lhes é permitido
pelo édito que contém o selo
da autoridade maior
nas suas vestes brancas e brilhantes
como a fortuna que cresce nos seus cofres

Abilio Terra Junior
13/02/2010



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