O Monstro Devorador

E lá está ele, devorando estrelas e poeira estelar, um ponto minúsculo, em escala do cosmo, é claro. Era uma estrela que implodiu e explodiu e se tornou, no início, um pequeno buraco negro. Que foi crescendo, engolindo as estrelas que giravam, céleres, em torno dele. Foi crescendo e se tornou imenso. E cresce cada vez mais. É um gigantesco buraco negro e está bem no centro da Via Látea. Os cientistas "o vêem" por conjeturas, deduções, cálculos, pelas estrelas que brilham e se movem velozmente em torno dele. E porquê ele se localiza bem no centro da nossa Via Látea? E porquê há muitos outros buracos negros também no centro de outras galáxias? Einstein o deduziu por hipótese, mas pensava que só existisse em teoria, nunca na natureza, um tal "monstro devorador". Mas ele existe. Tão real quanto essa cadeira em que me sento.
E fico pensando se no centro da minha natureza também não há um tal "monstro devorador". Pois o microcosmo não reproduz o macrocosmo? O homem não reproduz o universo em si? Então, esse meu raciocínio não é assim tão esdrúxulo. Bem lá no centro do meu ser está ele, é infinitesimal, em tamanho. Mas com um imenso poder. Pois era uma estrela, seguiu todas as etapas da evolução estelar. Até que, já no fim, implodiu e explodiu. E guardou em si todas as energias do universo. Em segredo, como um monstro que se apaga na escuridão, à espera. À espera da sua primeira vítima. E, depois, da segunda. Da terceira... De inúmeras. E cada estrela que passa, ele a devora. Cada oportunidade, cada chance, é devorada. Cada figura, ele a devora. Se pudesse, devoraria todas. Mas, não pode atacar. Fica esperando. Elas têm que passar por perto, atraídas por seu magnetismo poderoso. E, quando bem próximas, fagueiras, belas, lúdicas, atraentes, maliciosas, desaparecem inexplicavelmente. É que o monstro as devorou. E ficou mais poderoso. E elas se decompuseram em suas partes mais ínfimas, mais íntimas. Retornaram ao início de si mesmas. Antes de serem estrelas. E, talvez, um dia, voltem a ser estrelas. Ou... um cachorro? E o buraco negro se torna cada vez mais poderoso. E cresce mais e mais... na Via Látea... e em mim.
Ele cresce dentro de você que me lê agora, preste atenção no seu poder imenso, dentro de você. E como ele se manifesta, quando você menos espera, e rouba a luz mais intensa, a beleza mais esplendorosa, o instante mais feliz, o plano mais audaz, a vitória mais sublime, o gozo mais pleno.
Nós o ignoramos, e ele cresce às nossas expensas e às nossas custas. E nós o vemos brilhando, minúsculo, com seu brilho seco e opaco, por trás do sorriso e do olhar de quem está ao nosso lado, também.

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