Apelo

Cátia e Humberto caminhavam abraçados pela estrada rústica. Sorriam, tudo era motivo para sorrirem, estavam apaixonados. Beijavam-se, colhiam frutos silvestres aqui e ali, os devoravam na hora, servindo-se um ao outro. Às vezes, cruzavam com pequenos animais e até mesmo cobras, que atravessavam a estrada. Não se importavam, pelo contrário, gostavam de vê-los e apreciá-los em sua beleza, faziam comentários e gritavam, avisando um ao outro, quando surgia um.
Apreciavam a natureza, em sua maravilhosa e rica diversidade, estudavam os hábitos dos animais e já haviam participado de manifestações em favor da defesa de espécies em perigo de extinção, não só das animais, mas vegetais também.
Haviam caminhado bastante, estavam muito cansados e suados, apesar de bem jovens, Cátia com 18 anos e Humberto com 19.
Decidiram dar uma parada. Traziam, ambos, mochilas nas costas, com diversos apetrechos e comida. Entraram pelo mato, caminharam alguns metros entre os arbustos, até que encontraram uma sombra aconchegante, sob uma frondosa árvore.
Retiraram as mochilas das costas, sentaram-se, respiraram fundo e deram largos sorrisos um para o outro. Humberto abraçou Cátia e lhe deu um beijo ardoroso, ao que Cátia respondeu, sensualmente. Em poucos minutos, já estavam deitados, beijando-se e acariciando-se e despindo as suas blusas.
De repente, ouviram um ruído que os despertou do seu entusiasmo. Sentaram-se e ficaram atentos, com os sentidos aguçados. Dava a impressão de um corpo pesado movendo-se entre o mato, partindo galhos à medida que avançava. A tensão dos dois aumentava e até já haviam se esquecido do desejo à flor da pele.
Foi quando apareceu, do meio do mato, um urso de pêlo marrom. A alguns metros do casal, levantou-se, ficando em pé, apoiado apenas nas patas traseiras.
A sua figura imponente e majestosa (qualquer ser humano, por mais alto que fosse, ficaria pequeno ante ele) gelou o sangue de Humberto e Cátia, e, se suados já estavam, mais ainda o ficaram agora. Com os olhos estatelados, ao mesmo tempo, admiravam a beleza do raro animal e o temiam, pois sentiam o imenso perigo em potencial que a sua presença representava para eles.
O urso, de início, pigarreou, e depois, para surpresa ainda maior de ambos, começou a falar! Ou seria uma comunicação extra-sensorial, a nível mental? Nunca souberam ao certo.
A verdade é que, tanto Cátia quanto Humberto , ouviram distintamente o que ele dizia!
Caros amigos, começou o urso. Sei que vocês são meus amigos, assim como dos outros animais da floresta, e também das árvores, flores e frutos.
Posso, portanto, lhes falar com toda a franqueza, continuou o, agora, simpático urso. Sei que vocês são jovens, entusiastas e fortes. Por isso, venho pedir a sua ajuda. Os caçadores nos matam sem piedade. A nossa raça está em extinção. Não apenas a nossa, mas milhares de outras raças animais estão sucumbindo, perseguidas pela violência e o instinto assassino do ser humano. O mesmo está sucedendo com as espécies vegetais.
O que acontecerá no futuro, com vocês, os seus filhos e os seus netos? Sucumbirão também. Toda a Terra será dizimada. É este o futuro que nos espera!
Portanto, amigos, continuou o amável urso, juntem-se aos seus amigos que pensam como vocês. Organizem-se, em grupos que nos defendam, a nós e a todas as espécies, animais ou vegetais, em vias de extinção. E lutem com todas as suas forças contra os nossos poderosos inimigos, os caçadores, os fabricantes de casacos, bolsas, sapatos etc, que usam peles de animais na confecção dos seus produtos, por exemplo.
Só assim teremos uma mínima possibilidade de sobrevivência! Por favor, nos ajudem! Agradecemos de coração a todos vocês, assim como a todos aqueles pesquisadores que nos estudam em nosso cotidiano, e procuram divulgar os nossos hábitos e modos de vida, através dos meios de comunicação, tentando derrubar os preconceitos e visões deturpadas que ainda perduram contra nós,
Não somos monstros nem seres desprezíveis, como muitos ainda pensam. O trabalho maravilhoso desses abnegados tem nos ajudado muito. À medida que as pessoas, em todas as partes do mundo, nos conhecem como realmente somos, passam a nos ver com amor e carinho, e a nos respeitar, com as nossas peculiaridades, e a não se deixar levar pelas aparências. É este o caminho da salvação, para nós e para vocês também.
Estamos todos juntos, em uma imensa, complexa e intrincada cadeia evolutiva, junto com a nossa Terra. Cada elo que se parte, cada espécie que desaparece, é um golpe doloroso, que repercute em todo o Cosmo. E a Terra chora, os animais choram, as árvores choram, os Devas choram, e os seres humanos, que estão de fato ligados à essa grande corrente que atravessa e compõe todo o Universo, choram também!
Adeus, amigos! E sejam muito felizes!
E, ao dizer isso, o enorme e belo ser da natureza se abaixou, apoiou-se nas suas quatro patas e partiu, com a mesma rapidez com que surgira.
Cátia e Humberto se abraçaram, comovidos, e derramaram grossas lágrimas, com pungente dor em seus corações, sentindo o forte impacto da mensagem que haviam recebido, e tudo o que representava.
Depois, olhos nos olhos, juraram que cumpririam , com todos os seus recursos e forças, os seus objetivos de defenderem sempre a esses seres magníficos, que nada mais pedem a nós, seres humanos, do que o direito de viverem em sua liberdade natural, e de serem conhecidos, respeitados e amados em tudo aquilo que eles são.

 

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