ontem perene foi a minha sombra
numa tarde que nunca chegou ao fim
perfumes e pupilas se entremeavam
meu sorriso enregelou-se

o trovão acompanhava os odores dos cães
minas de ouro nunca descobertas
sussurravam à terra sua limpidez

numa estrada de terra dura
o gado tropeçava angustiado
o cactos enfrentava o labor do sol
branca era a estrela que se apagava

lápides coloridas cheiravam a jasmim
os mortos taciturnos se benziam
a terra enrolava-se numa nuvem estelar
enquanto anjos brandiam suas espadas escuras
contra as nervuras estagnadas dos jovens viciados

era a marcha eterna dos espectros
que subiam a escuridão enregelada
as estátuas mantinham-se eretas
ainda que a viúva delas sorrisse

infantes maltrapilhos perseguiam a enorme aranha
novas ondas de alegria galopavam
sobre as areias estéreis do deserto constrangido

o pastor poeta declamava só seu longo poema
às ovelhas cujos úberes eram os mais férteis
os raios de sol acompanhavam
cada gota da chuva repentina

pedras perenes lembravam aos homens seus deveres
a pirâmide dourada iluminava as noites quentes
crescia até o nascer do dia

aí fingia-se de morta para não sobressaltar os humanos
estes não se surpreendiam
pois não conseguiam senti-la

Abilio Terra Junior
26/05/2012



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