o raio partiu
a algibeira morena
dezenas de glóbulos transparentes
se espalharam pela pedra plana
daí alcançaram a correnteza

o lago os acolheu com bom humor
sentia o cálido perfume da índia
que nele nadava risonha
árvores centenárias a rodeavam e a protegiam

a chuva estancara
o sol brotava calmo potente
das nuvens que se encolhiam
o dia galopava passo a passo vagabundo
convicto da sua altivez

a lua quase invisível
esperava a chegada da noite
maritacas se agitavam entre galhos
curiosas estridentes

do outro lado do espaço
a neblina se enrodilhava em si mesma
sentia espasmos com severas olheiras
a ventania corria se divertia
com as reações dos humanos
contornava o monte
que era uma única pedra

a índia saíra do lago
se ajoelhava e comungava com a frondosa árvore
trocavam energias se entregavam
suas almas se fortaleciam

o vento calou-se
a onça adormeceu
curumins as rodeavam com passos lentos
em respeito ao momento

o canto que surgiu dos lábios da índia
era a poesia que celebrava
o encontro da natureza com sua filha
havia amor em todas as células
brotos glóbulos transparentes olhares

Abilio Terra Junior
20/03/2012

 

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