ó lua
tu que és tão pura
e empunhando o teu nobre
cetro
ficas a me observar
neste meu sofrimento
nestes meus duros tormentos

nos meus olhares pungentes
com que sofregamente
vejo a minha amada
entre véus que a encobrem
e a afastam de mim

permite que meu coração
sossegue
e não se parta ao meio
e que eu encontre
algum motivo
para continuar
minha batalha
de falso herói
e pobre poeta

ó poeta
tu que és tão impuro
e te perdes em teus tormentos
de louco
blasfemo
herege

saibas que tens que seguir
o teu fado
ainda que arqueies sob o teu peso

os teus passos te levaram
a este abismo sem fim
e enquanto te apóies
em tua alma
que solícita ao teu lado
nunca te abandona

perguntes a ela poeta
se mereces a tua amada
se a amas de fato
se teu coração bate
em sintonia com o dela

se todo o teu ofício
de amante apaixonado
a ela ofereces em um altar

se cada lágrima tua
que derramas ante mim
será um tesouro imenso
com que a protegerás
dos infortúnios

e assim doce poeta
purificado por tua dor
quem sabe um dia desses
te defrontes com ela
e saibas as palavras certas
e extasiadas
com que alcançarás
o seu coração

não desistas poeta
pois esta é a tua vida
imponderável e sofrida
que é o prêmio merecido
deste teu penoso fado
que te leva à poesia

Abílio Terra Junior

26/08/2005

 

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