o homem jorrou seu sangue
entre a multidão
mas o outro homem ordenou
que continuassem a matança

muitos foram mortos
seu sangue clamava aos céus
e a árvore surgiu de outra dimensão
refulgiu em seu esplendor

com seu tronco portentoso
e sua copa que se abria verde
milhares de folhas
que se arredondavam pelo espaço

única original se lançando
entre o vento potente
ciente de si mesma
contornando a vida em espiral
indestrutível

ela colheu o sangue do homem
protegendo-o amparando-o
levou-o às esferas superiores
onde os deuses o guardaram
nos frascos de cristal

espargiram as suas bênçãos sobre ele
e aquele sangue tornou-se perene
esperou pelo ditador
que cedo ou tarde o enfrentaria

e sua alma submergiria
nele para sempre
sentindo os horrores
da asfixia eterna e a dor pungente

de milhares de vítimas indefesas
do seu ódio da sua ganância sem limites
da sua falsidade e hipocrisia
da sua adoração pelo poder

da sua violência
e do seu desprezo
pelo seu próprio povo

Abilio Terra Junior
20/07/2012



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