já são muitos os que temem
o despertar das rosas
em uma tarde bruxuleante de outono
quando os pássaros se lançam
em audaciosos rodopios
à caça de minúsculas luminárias luzidias
e os estudantes atiram torpedos de amor
aos corações puros das suas amadas

nesse dia solene que o mago citou
em seu tratado escrito nas nuvens
e a esguia cigana de olhos enigmáticos
como um buraco negro
apontou com um meio sorriso
e o dedo trêmulo
na palma da pequenina mão
do menino pensativo e sonhador

os faunos ergueram suas narinas
ao sentirem novos odores
que os seduziram
e saíram em busca do vulto nu
da linda jovem cartaginesa

os gigantes se ergueram
das suas mortalhas seculares
no seio da montanha
tropeçaram nos barrancos
ao sentirem do horizonte
a brisa oculta e suave
que lhes dizia
das suas origens longínquas

a dama de ouro se levantou
da sua alcova espectral
e entregou ao perene arauto
o édito que conclamava
os seus inspirados súditos
a acordarem dos seus sonhos lassos
e a prepararem lauto banquete
em regozijo
por essa tarde crepuscular de outono

Abilio Terra Junior
29/12/2006

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