o anjo curumim
me observa do alto da montanha
com seus cabelos lisos e negros
ele é transparente
e vem de outra dimensão

me pergunto o que ele faz ali
qual é sua história
sinto que é triste
como a do seu povo
e dos seus ancestrais

bebo a água cristalina
da fonte perene
estou ligado a ele
e à sua gente
desde eras remotas

já fui puro como eles
e nossos deuses habitavam em mim
mantínhamos um diálogo constante

eu conversava com as árvores
e os animais
e pedia permissão à floresta
para nela adentrar
o fogo a água a terra o ar
me respeitavam
eram meus aliados

o pajé só de me olhar
sabia o que se passava comigo
e afugentava de mim
os maus espíritos
se necessário fosse

as mulheres eram antes de tudo
companheiras
e compartilhavam comigo
os bons e os maus momentos

a natureza me envolvia
com seu calor
desde as profundezas da terra
até o mais alto céu

eu não sentia medo
era forte como um rochedo
nas danças e rituais
eu celebrava as mudanças
que ocorriam em mim
desde a mais tenra infância
até o entardecer da minha vida

as mulheres sabiam o momento
em que deviam me aceitar
e as suas decisões eram respeitadas

os curumins aprendiam
pelo exemplo dos adultos
o sol a lua as estrelas
seguiam seus ciclos
junto comigo e meu povo

a palavra dos velhos
era ouvida e respeitada

Abilio Terra Junior
21/04/2012

 


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