na velha mansão
inexistente
há um lauto jantar
imensas escadas
e no andar de cima o que há
pergunto eu
e já me encabulo

a mãe o pai o filho
quanto extravio
comidas que não conheço
madames empertigadas
malhadas
um carro que faz peripécias
eu converso com o motorista
que depois morreu

a linda modelo me olha
flerto com a corista
no rio
converso com duas italianas
na capital
e faço uma proposta abusada

diz o professor
que a minha poesia
é um rio que corre
ele beija a aluna
no quarto do hotel

concentro-me em mim mesmo
e digo algo

disciplina

mas como se na grande espiral
voltamos ao mesmo ponto
que não é o mesmo

como se no grande refluxo
tudo voltará ao início

como se há um grande vazio
que impera

como se não há resposta
mas incógnita

como se nossos passos retornam
sobre eles mesmos

como se há um grande relato
sem lógica nem tato
o grande poema
da história do mundo

como se me desprego
da minha pele
e vôo sem asas

como se nessa mão
há um grande segredo

como se o deus suga a vida

como se o anjo caminha
em cada estrofe

Abílio Terra Junior
21/06/2006 00:18 h

 

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