flutuas no ar
lentamente
de um prédio
em direção ao outro

és um jovem claro
sem alguns dentes

possuis um caderno
com muitas anotações esparsas
com espaços vazios entre elas
de muitas pessoas

algumas figuras eminentes

fazes um comentário sobre uma delas
e percebo que possuis
uma visão crítica desta

filho do vento
jorras por entre esguios
desfiladeiros de montanhas

o teu cetro te espera escondido
sob um bloco de pedra milenar
porta de um mundo oculto
fonte de lendas orientais

os teus ancestrais se perderam
na origem dos tempos
bruxos e bruxas que trouxeram o barro negro
que se transformou em riqueza

tua irmã certa vez surpreendeu André Breton
com seu olhar e sua profecia
de que ele alcançaria uma estrela

vens do magma que jorrou pela primeira vez
sob o olhar inquieto de um brontossauro

e tuas palavras são simples demais para os intelectuais
mas fizeram com que os sábios babilônios
as estudassem com acurado interesse
do alto dos seus zigurates

se ignora o teu destino
mas transformas com tuas palavras
de uma forma que desconcerta
e ‘és entusiasta da chama’ (*)
‘e Dafne transformada em raízes,
como loureiro, quer que tu te transformes em vento.’(*)

Versos de ‘Sonetos a Orfeu’, parte 12, de Rainer Maria Rilke.

Abilio Terra Junior
25/02/2007

 

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Imagem de Livia Alessandrini,Dafne,técnica misturada na madeira,Roma 1997

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