escorregava pela terra
em uma fresta aberta
no incógnito profundo
como no sonho sem rumo

sua pele em escamas
sucumbia ante as pedras
sussurrava entre dentes
uma prece de medo

sua cabeça era enorme
zumbia como um enxame
temia que se rompesse
suas pernas oscilavam

sobre o vácuo estreito
não sabia ao certo
que vício lhe pesava
a água passava por perto

ouvia o som tão vizinho
estreitava-se como uma vara
entre tensos labirintos
suas mãos o protegiam

das tumbas salientes
rochas frias competiam
com sua face desfeita
cada degrau invisível

buscava suas carnes magras
a dor fina silente
a companheira de sempre
nas vizinhanças do Hades

topou com Orfeu decrépito
mal dedilhava sua lira
Eurídice uma dura pedra
fingindo-se desperta

o sino tocava
na catedral de fogo
as chamas lambiam
seu corpo magro e torto

a mulher vestida de negro
fixava nele seu olhar
ele deixava-se levar
na busca do seu ventre
seu odor o atraía

Abilio Terra Junior
06/05/2011


 

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