::: Crônica e Fotos de Viagem :::

 

Minha esposa e eu em frente à Pirâmide do Sol, Teotihuacan, México

Eu, após uma meditação no topo da Pirâmide do Sol

Viagem ao México
Brasília 22/01/97 17:30 h
São Paulo 23/01/97 1 h (hora da saída do vôo)
Bogotá 8 h
Cidade do México 12:20 h (hora local 8:20 h)

Fomos recebidos, eu e a minha esposa Luiza Helena, pela Lorena, da empresa de turismo, que nos levou ao Hotel El Ejecutivo, no centro da Cidade do México.
Durante a viagem vi um vulcão extinto, bem alto, rodeado por terreno cultivado, com inúmeros retângulos indicando plantações, bem como diversas aldeias ("pueblos"). Passamos sobre o oceano, muito acima das nuvens. Ao longo da selva vi diversos pontos brilhantes (línguas de fogo lineares). De repente, uma cidade toda iluminada (antes de Bogotá).
Em Bogotá permanecemos muito tempo, caminhei dentro do avião, pois estava cansado, por estar tanto tempo sentado. Durante a viagem vi montanhas imensas e uma coluna de fumaça que mais parecia um gigante mudando de forma. Quando sobre o oceano, me pareceu ver uma porção de água gelada; depois, conclui que se tratava de formações de nuvens sobre o oceano.
Chegando ao hotel, soubemos que o apartamento só estaria vago às 13 h... Combinamos com a Lorena alguns passeios e, em seguida, saímos do hotel, quando encontramos um simpático motorista de uma frota de táxis, bem conversador, um mexicano típico, que gentilmente nos levou à uma casa de câmbio, onde troquei dólares por pesos. Ele nos indicou um restaurante e uma loja de turismo.
Estávamos em pleno centro da Cidade do México, a mais populosa do mundo: avenidas largas, muitas praças e monumentos; andamos sem maiores dificuldades e localizamos uma loja de turismo, onde eu iria trocar o trecho aéreo Merida/Cancun por Cidade do México/Merida (que é mais longo, seriam 12 h via terrestre). Assim, eu faria o percurso Merida/Cancun de carro, que, segundo a Lorena, oferece belos trechos no itinerário.
Almoçamos em um restaurante moderno, atendidos por uma garçonete simpática e sorridente, uma comida farta e saborosa, sem "chile" (pimenta), e já comecei a desenvolver o meu dialeto português/espanhol/inglês, com o qual me comunicaria durante toda a minha estadia no México!
Retornando ao hotel, descobrimos o apartamento no 13o. andar e também que a camareira ainda estava terminando de arrumá-lo...
Acabei cortando o meu dedo na lâmina de barbear, com a pressa, pois o guia já havia chegado e estava nos esperando. E a Luiza esbarrou com a mala, nova, no armário, arrancando uma peça.
Fomos, então, com o guia, Jorge, até o centro histórico da Cidade do México, onde estivemos na terceira maior praça do mundo e visitamos o antigo Palácio do Governo, que exibe em suas paredes murais belíssimos que contam a história do México, criados por Diego Rivera, com uma visão, por sinal, bastante crítica e autêntica.

vista frontal da catedral, na Praça Zocalo

Visitamos a catedral, também muito bonita, que está, infelizmente, afundando, devido às características do terreno onde está situada. Aliás, abrindo um parênteses, li recentemente, que este problema foi solucionado através de uma primorosa obra de engenharia. Na época da viagem, a catedral já estava com obras de reforço e escoramento em seu interior. Havia uma sala, do coro, fechada, que me lembrou muito um sonho, em uma igreja, que eu havia tido, há mais tempo. Fotografei e seguimos para o Centro Artesanal, imenso, onde permanecemos mais de uma hora escolhendo e comprando ponchos, figuras de cerâmica, deuses, corujas, candelabros, maracas, pequenos sombreros.

Abílio, nos Jardins Borda, em Cuernavaca

Em 24/01, 6a. feira, partimos para Taxco, na companhia de Jorge, o guia,e de Silvana, uma turista peruana, em uma van com ar condicionado. A temperatura estava muito baixa, pela manhã, saímos bem agasalhados, mas, ali pelo meio dia, já subiu bastante e, então, estorricamos dentro da nossa roupa reforçada! No trajeto, passamos por Cuernavaca, "onde é eterna primavera", uma cidade realmente convidativa; lá viveram o Xá do Irã e John Weissmuller, um dos mais famosos Tarzans. Visitamos a Catedral e o Jardim Borda, com muitos chafarizes, plantas e flores, muito bonito! Havia uma exposição sobre Luis Buññuel, o famoso diretor de cinema, no centro cultural anexo ao jardim. Em Taxco, onde abundam inúmeras lojas de venda de objetos manufaturados em prata, compramos alguns deles e visitamos a catedral e outros locais.
Retornamos ao hotel às vinte horas e saímos às 22 horas com o guia, para visitar a praça onde se reúnem os famosos mariaches. Encontramos a praça cheia, com grupos reunidos em torno de diversos conjuntos de mariaches, com suas roupas típicas, seus imensos sombreros, seus violões, baixos, instrumentos de sopro, violinos e suas belas vozes executando aquelas músicas que sempre nos emocionam, por mais antigas que sejam! Ali eles se apresentam e costumam ser contratados para festas, segundo nos informou o guia.
Em seguida, seguimos com o Jorge para o Restaurante Guadalajara, onde nos sentamos bem ao lado do palco/pista de dança, que se situa em um nível mais elevado. Tomamos tequila (do jeito certo, segundo Jorge nos ensinou) e apreciamos uma encenação por um grupo de dançarinos do sacrifício ritual de uma princesa asteca, muito bonito! Em seguida, uma cantora, dois cantores, acompanhados por conjuntos de mariaches e novas danças com dois casais de dançarinos, se apresentaram com bastante brilho! Antes e depois dos shows, as pessoas subiam à pista e se entregavam com todo o entusiasmo ao ritmo vibrante das sonoras melodias mexicanas!

Pirâmide do Sol
(base)

A mesma Pirâmide, com os conjuntos arqueológicos que a rodeiam

Em 25/01, sábado, partimos para Teotihuacan, onde se localizam as Pirâmides do Sol e da Lua e todo o conjunto arquitetônico imenso que, no passado, constituía uma cidade com milhares de habitantes! Subi, a duras penas, a Pirâmide do Sol, com 246 degraus! Durante todo o tempo, centenas de turistas de todas as nacionalidades faziam o mesmo percurso, subindo e descendo. Lá de cima da pirâmide, se tem uma visão privilegiada da avenida, a pirâmide da Lua no extremo; e imaginar que tudo isso foi habitado, um dia, há muito tempo, por um povo, com sua cultura, seus hábitos, seus deuses, e que tudo acabou, de vez, sem explicação! Procurei um local um pouco mais tranqüilo, me sentei, lá no alto da pirâmide e fiz uma meditação. Soprava um vento forte e senti bastante energia presente, a força dos deuses que inspiraram aquele povo longínquo. Quando descia, encontrei a Luiza subindo as escadarias.
Em um restaurante próximo, todo colorido, e com cores bem acentuadas, como só os restaurantes mexicanos conseguem ser, conversei com uma bela jovem que ali trabalhava, que me disse: "os espanhóis nos prejudicaram muito." A sua declaração me surpreendeu, pois dificilmente eu ouviria algo semelhante de uma jovem brasileira, algo assim: "os portuguêses nos prejudicaram muito", já imaginaram? Inconcebível, não é mesmo? A propósito, notei que os/as mexicanos/as possuem uma consciência social e histórica muito bem desenvolvida. Sabem que são descendentes dos indígenas e sentem orgulho da sua origem étnica.
Retornamos à Cidade do México e visitamos a Catedral da Virgem de Guadalupe, a padroeira do México. São três igrejas, sendo a catedral (a mais recente) imensa. Muitas pessoas rezando e, em frente à imagem da santa, a Luiza e a Silvana, procuravam, fervorosamente, conservar-se no mesmo lugar, sobre a esteira rolante, orando, contritas! Até que um zeloso observador deu-lhes algum descanso, desligando, por alguns momentos, a esteira rolante, até que terminassem as suas devotadas preces!
Em seguida, observamos a Praça das Três Culturas: as ruínas pré-colombianas, a igreja construída pelos espanhóis para São Santiago, padroeiro da Espanha e os prédios modernos, em torno. O local é marcado por muitas tragédias: a última batalha, em que os astecas foram derrotados pelos espanhóis, definitivamente; em 1968, em torno de dois mil estudantes foram mortos pelas tropas do governo; e houve também um terremoto, uma tragédia, na qual faleceram parentes do Placido Domingo, que residiam nas proximidades.
Em 26/01, viajamos de avião, pela "Mexicanas" às 14 h e chegamos a Merida às 15:30 h. Já no hotel, alojados, perguntei ao recepcionista a respeito do "programa" noturno e ele me sugeriu ir à Plaza Principal e para lá nos dirigimos. Merida é uma cidade mais interiorana, se bem que importante na região, pelo que me informaram. Na "Plaza", muita gente passeando, sentada nos bancos, namorando, casais com seus filhos nos restaurantes (muitos em torno da praça) e o que eu achei mais interessante: uma autêntica orquestra tocando, ao ar livre, deliciosos boleros, mambos e em plena rua, fechada ao trânsito, um verdadeiro baile, com muitos casais dançando, animadamente! Achei deliciosa aquela cena!

Em torna da praça há muitos prédios bem antigos: um deles com escudos, emblemas heráldicos sustentados por seres míticos; a catedral, antiga e imensa como as outras que vimos; um prédio municipal, onde estão pintados, ao longo das paredes (como na Cidade do México, com os murais de Diego Rivera) cenas impressionantes da história de Merida. Aprendi que a cidade de Merida surgiu no século XVI, que os Maias resistiram aos espanhóis durante vinte anos; reza a lenda que o povo maia nasceu do milho e que no Ocidente estão as trevas e a destruição, segundo as suas crenças, e que no Oriente, ao contrário, estão as forças benéficas e criativas; a venda dos índios maias como escravos pelos políticos; a sua libertação por ação dos seus benfeitores; a cisão no século passado e muitas outras pinturas magníficas. Em um centro comercial, ouvimos um trio interpretar lindas melodias, com as pessoas sentadas em cadeiras, ouvindo, e visitamos uma exposição fotográfica sobre as belezas arqueológicas mexicanas.
Em um restaurante comemos uma "bela pizza" (mexicana, apimentada), com uma massa bem fina e saborosa. Observei belos prédios antigos, pinturas murais magníficas, monumentos arquitetônicos imensos, comércio turístico bem desenvolvido, um padrão étnico bem definido, um povo cordial, educado, alegre e com boa vontade, no que me pareceu, até agora, serem características marcantes do povo e das cidades mexicanas. Possuem uma história e uma cultura riquíssimas, de que podem se orgulhar!
A tempo: quando meditando, ontem, na Pirâmide do Sol, senti uma poderosa sintonia e fiz bastante esforço para manter a lucidez. Creio que a minha história pessoal passa por esse sítio arqueológico, em época remotas, e por esse povo que aqui viveu e depois abandonou tudo, de forma misteriosa. Alcançaram 250.000 habitantes! Mas nesse sítio só viviam os sacerdotes, enquanto o povo vivia em torno. Parece que, em certo momento, não havia comida para todos (devido à exaustão da terra)... ou, então, foram atacados por um povo mais belicoso que os venceu e os destruiu, em sua integridade.

Palácio do Governador, em Uxmal,
construído sobre uma plataforma

Em 27/01, partimos em direção a Uxmal, junto com um casal jovem japonês (bem altos, a nova geração), um americano alto, mais idoso e dois italianos e uma italiana. Lá chegando, fomos conhecer o sítio arqueológico que apresenta diversas pirâmides, um campo de jogos, uma universidade, um templo menor, um falo enterrado representando a fecundação da Terra pelo Céu e muitas pirâmides e templos ainda escondidos entre o mato ou enterrados. Há plataformas construídas, para que sobre elas se construíssem as pirâmides, templos etc.! Os pisos dessas pirâmides desapareceram após a conquista espanhola. Nesse local existiram as civilizações maia e tolteca. Em templos originalmente maias encontram-se construídos símbolos toltecas, uns sobre os outros. Eles se utilizavam de poços para o abastecimento de água. Em frente ao denominado "Palácio do Governador" (que foi construído sobre uma plataforma) há o já citado falo enterrado e dois jaguares, macho e fêmea, acoplados um ao outro, de costas. Passava um grupo de turistas italianos, no momento, e quando o guia comunicou que colocar a mão sobre o falo daria sorte no amor, uma jovem italiana, imediatamente, correu até ele e colocou sua mão, mais do que depressa!
A denominada "Casa das Tartarugas" apresenta uma simetria perfeita, semelhante a um templo grego. Os arcos das contruções maias formavam um vértice, diferentes dos arcos romanos.
A Igreja destruiu muitos escritos maias, para forçar o povo a abandonar as suas crenças e adotar o catolicismo.
Subi, com a Luiza, a escadaria da Grande Pirâmide e lá de cima tirei fotos bem interessantes. Haviam diversos iguanas passeando pela relva ou dentro das ruínas; vi um bem grande, papudo, mas não consegui fotografá-lo, pois ele correu para dentro de uma ruína.
Os arqueólogos continuam fazendo trabalhos de recuperação e vimos muitas peças dispostas ordenadamente no solo, preparadas para serem recuperadas. Vimos uma estátua de um deus já recolocado em seu local original e outra, colocado à parte, provavelmente para exibição. Partimos, em seguida, para Kabah, onde visitamos um sítio arqueológico menor, mas também muito interessante. Caminhando um pouco mais, encontramos um arco maia isolado e, no meio do mato, uma grande pirâmide, com pedras bem visíveis.
Retornando ao primeiro local, almoçamos em companhia dos italianos. Um deles, mais loquaz, contou que já era a terceira vez que vinha ao México. Segundo ele, no México é mais barato, mais seguro (foi assaltado em Salvador-Bahia, há cinco anos atrás) e há muito o que conhecer. Permanecerão por um período de trinta dias. Ele esteve em outras capitais brasileiras e possui amigos no Brasil, que estão sempre lhe chamando para voltar. Possui amigos, também, no México.
Jantamos no restaurante Los Almendros, que serve comida de origem maia. Apreciamos pratos saborosos, ao som de boleros e outros ritmos latinos, cantados com perfeição por um trio. A Luiza pediu "Maria Helena" e foi atendida. Ao tentar fazer outro pedido, entretanto, não foi muito bem entendida: o garçon trouxe o cardápio...
Voltando ao tour de hoje, o jovem casal japonês (ela está grávida de sete meses) viajará durante 23 dias no México e o americano é de Seattle, bem risonho.
Merida é bem mais quente que a Cidade do México. Está na Península de Yucatan (remember Ponce de Leon). É uma cidade grande (um milhão de habitantes), antiga, sem prédios altos. Observei hoje, ao voltar do tour, passando pela área central da cidade, que o comércio é bem desenvolvido. A cidade, apesar de ser do tipo interiorana, possui ótimos restaurantes (com shows ao vivo, como no hotel em que estamos), belas avenidas, ruas estreitas, belas praças com monumentos, bons hotéis, agências de turismo (há uma no hotel em que estamos) etc. Enfim, se enquadra em um padrão diferente de cidade, nada se parecendo às cidades brasileiras.

Templo dos Guerreiros

Templo das Mil Colunas

Em 28/01, partimos para o tour Chichen Itza. Na van, fiquei mal acomodado, ao lado de um casal de americanos e a Luiza, ao lado de uma argentina e sua filha. No sítio arqueológico de Chichen Itza há um campo de jogos bem maior que o de Uxmal; ouvimos a explicação de que disputavam o jogo dois times de seis jogadores cada um, todos devidamente protegidos (inclusive a cabeça e o nariz, como mostram as decorações nos blocos de pedra ao longo do campo). Disputavam durante dias a fio, trocando os times a medida que cansavam, com uma bola de borracha (!), tentando alcançar a abertura de um círculo de pedra, à grande altura (nesse campo específico). O "capitão" do time vencedor considerava-se honrado em ser decapitado, pois acreditava que a sua alma, nesse caso, seria recebida pelos deuses e, depois, reencarnaria.
Os maias e, depois, os toltecas, construíram esse complexo conjunto arquitetônico de Chichen Itza. Uma das construções apresenta em torno, em relevo, diversas caveiras. Em determinada festividade, os participantes tomavam bebidas cerimoniais com um chá tipo alucinógeno e depois eram conduzidas a um poço e nele atirados (esse poço ainda existe e possui águas bem escuras). No início do século passado, um arqueólogo dragou esse poço, onde encontrou muitos esqueletos com todos os seus paramentos.
Nos observatórios astronômicos nota-se uma assimetria que destinava-se a proporcionar aos estudiosos maias um ângulo condizente com as posições zodiacais, equinociais, do céu, naquele momento. Nas placas pode-se observar escritos no idioma maia, que apresenta certa semelhança, em sua pronúncia, com o chinês.

O Castelo

Sobre a construção ao lado do belo Templo das Mil Colunas há a escultura de Chac-Mool, que fazia a ligação entre os sacerdotes e os deuses; em seu colo se colocavam os corações, após os sacrifícios rituais.
Errei o caminho para sair, me atrasei e acabei me desentendendo com o guia, que ameaçou me deixar lá e só não o fez porque a Luiza ameaçou se comunicar com a empresa de turismo... Seguimos em um onibus de turismo para Cancun, que, diga-se de passagem, é um show à parte. Ficamos boquiabertos com os hotéis de alto luxo; um deles possui "apenas" 1.200 apartamentos e o guia, enquanto deixava os turistas, ia nos contando a história de cada um. Já em nosso hotel, próximo ao mar, almoçamos em um restaurante próximo. Nas mesas próximas, ao ar livre, uma moça americana, loura, dava o seu showzinho à parte: de bikini, depois de dançar bem a vontade, engoliu, pela goela abaixo, uma bebida derramada em sua boca por um garçon, que estava em cima de uma mesa, enquanto todos batiam palmas, animados, acompanhando a sua performance. Depois abraçou e beijou outro garçon, bem a vontade, enquanto o seu acompanhante, americano também, ficava com cara de quem comeu e não gostou, visivelmente constrangido.
Aluguei um carro, um Nissan, com ar condicionado, com o qual rodamos bastante até localizar um restaurante, onde saboreamos pratos típicos mexicanos, ouvindo dois músicos, com uma flauta e um órgão elétrico, interpretarem bossa nova...
Em 30/01,seguimos, com o carro alugado, para Xcaret, que é um parque turístico simplesmente sensacional. Lá se encontram um canal/ "rio" subterrâneo, para os turistas nadarem ao longo de todo o parque, devidamente "paramentados", com óculos de mergulho etc., animais selvagens, teatro ao ar livre, sítio arqueológico, shows de golfinhos (com a participação dos turistas), espetáculos de música e de teatro, praia, restaurantes com música ao vivo, habitat dos antigos maias, mariaches, e, ao cair da tarde, um belo espetáculo, em que os turistas são conduzidos dentro de cavernas e ao lado do "rio", presenciando uma representação dos antigos indígenas em seus rituais e danças, belíssimo!
Em 31/01, no shopping da Plaza Kukulcan, descobrimos um ponto da Arte Huichol, que segundo a funcionária, Silvana, nos explicou, é o único povo indígena que ainda conserva os seus antigos costumes e tradições, no México. É um povo muito místico e praticam xamanismo, tomando chá de pecoche (cactus). As suas obras de arte, de primorosa técnica, carregam muito simbolismo. Assim, simplificando bastante, por exemplo, quando a figura apresenta a cor verde, representa o pecoche, e quando é amarela, simboliza as figuras geométricas que se vê, quando se inicia a mudança de consciência. Estas figuras geométricas, por sua vez, se abrem, dando entrada aos mundos em outras dimensões. Os trabalhos são feitos em madeira (por exemplo, a cabeça de um jaguar), que é recoberta de cêra e, sobre essa cêra são colocadas, uma a uma, as peças de miçangas que irão formar, em conjunto, as figuras simbólicas. Na própria cabeça do jaguar (que, por sua vez, possui o seu significado próprio), vêm-se as figuras geométricas que significam o pecoche (verdes), a entrada nos estados divinos (amarelas), a águia, que representa a visão do alto, onde ela podia observar o que se passava com todos os animais etc.
Como sempre, há o interesse financeiro, e aí ela nos falou a respeito de um banco que financia todo o trabalho de apoio à arte Huichol, fornecendo-lhes rocas, que eles não conheciam, e ensinando-os, também, a fazer rocas. E há também um hotel construído pelo mesmo banco, no qual fomos convidados a fazer o nosso dejejum e conhecer suas instalações (é do tipo clube) e, depois, teríamos um desconto na compra das peças Huichol...
Em 01/02, fiz um passeio de jet sky: após uma hora de viagem, de luta contra as ondas encapeladas (pelo menos, na minha visão), correspondendo a 45 km, paramos, todos do grupo ( a Luiza não foi, ficou com medo), e colocamos o visor e o respirador. Vi, então, no cristalino mar do Caribe, os peixes, as formações no fundo, de todos os tipos; bonito demais! Já em terra, o sujeito que me alugara o jet sky, me contou que dissera a Luiza que eu tinha ido com "dos rubias" (duas ruivas)!
Em um restaurante em que estivemos, assistimos à dança de uma americana loura e alta com um garçon mexicano baixinho; uma jovem bonita e sorridente que nos atendeu dançou rock'n roll com um outro garçon, jovem como ela; alguns casais de americanos se atreveram a dançar, mas, na verdade, não sabiam...
Os garçons, muito animados, fizeram algumas brincadeiras com os clientes, como irem se levantando, de mesa em mesa, com os braços para cima ( como fazem nos estádios de futebol); dançarem salsa, em fila indiana, pelo restaurante! Um dos garçons, em pé sobre uma cadeira, colocava uma bebida pelas goelas abaixo de cada um/a dos/as animados/as dançarinos/as!
Em 02/02, viajamos no Yate Fiesta Maya até a Isla Mujeres. Atravessamos a baía e a viagem foi muito divertida: um animador, por sinal, muito animado, um conjunto musical, bebida à vontade e gente de todas as partes do mundo. O iate chegou à Isla Mujeres, onde fomos para a praia, nadei um pouco e, em seguida, dei uma caminhada até o final da praia, quando cansei de ver seios à mostra, com as mulheres muito à vontade (a maioria esmagadora composta por turistas)...
Na volta, o tal animador promoveu um concurso de cantos e outro do beijo mais sensual. Um americano abobado deitou com a mulher dele no chão (como se estivesse fazendo sexo) no concurso do beijo mais sensual e deu outros vexames. Deve pensar que no México e "redondezas" (ou seja, abaixo da linha do equador) a promiscuidade é total! Ao se dirigir a alguns suiços, o tal animador comentou, de passagem, que era lá que os governantes mexicanos guardavam os seus dólares (ou equivalentes)... Qualquer semelhança é mera coincidência...
À noite estivemos em outro restaurante onde os garçons, também, movimentaram o ambiente, dando tequila aos clientes ao som de gritos entusiasmados; "deixando" uma bandeja cair ao chão, assustando uns americanos, que saltaram nas cadeiras; colocando "um frango morto", artificial, sobre uma mesa; apitando etc.
Em 03/02, partimos do México, em uma viagem em que enfrentamos bastante turbulência e ficamos na área dos fumantes (apesar da minha solicitação contrária) e separados! Acabei me virando e consegui trocar de lugar com um casal, indo para a área dos não-fumantes e ficamos juntos!
Saimos às 18 h e chegamos em São Paulo às 6h, de onde saimos às 9:30 h e chegamos em Brasília depois das 11 h.
O México me deixou uma belíssima impressão. Os mexicanos me passaram uma lição de "saber viver": aquele prazer de viver todos os momentos, aquela alegria que brota espontaneamente, por uma observação fugaz de um colega de trabalho, por exemplo, como notei diversas vezes entre eles. Os guias quando se cruzavam, gritavam entusiasmados, uns para os outros, comunicando-se à distância, sem se preocuparem se os turistas estavam gostando ou não. No restaurante do hotel, em Cancun, também conversavam entre si, sorridentes e despreocupados. Sabem como agradar ao cliente, sem afetação; dizem palavras agradáveis, sorriem com espontaneidade. As mulheres são graciosas em sua simplicidade, olham com sinceridade, sorriem com sinceridade. Os homens são brincalhões e procuram ser cavalheiros com as mulheres. As músicas são românticas e falam de "corazón, amor, enamorarse"; são lindas, tanto as melodias quanto as letras. Porque o preconceito? No México aprendi que podemos ouvir as músicas com o coração e não com a mente inquiridora. Vivem em um mundo com muita emoção e carinho. Um mundo mais suave, mais pleno, com mais qualidade de vida. E isto é viver, muchachos e muchachas! E isto é viver!

Abilio Terra Junior

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Fotográfias de autoria de:Abílio Terra Junior

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