Chove de Mansinho

Estava sem sono. Levantou-se, como estava mesmo, abriu a porta e foi para a rua. Havia muito espaço em frente à sua casa. Muitas árvores, alguns bancos de cimento, espalhados em diversos pontos. Sentou-se em um deles. Estava pensando, interessante, em pessoas que se vestem bem à noite, receberam seus pijamas, camisolas, de presente, por exemplo, e, se são chamados pelos filhos à noite, levantam-se bem vestidos.
Não estava escuro, curiosamente, quantas horas seriam? Não fazia idéia. Havia outras pessoas sentadas em outros bancos, mas não perto dele.
Levantou-se, caminhou mais à frente, foi até a pista, que era larga, asfaltada, com outra pista ao lado, larga também, que dava mão no sentido contrário. Muita grama, bem verde. Notou que se aproximavam alguns ciclistas, alguns rapazes e moças. Afastou-se da pista e se sentou em um banco próximo a ela.
Eles se aproximaram, alguns estavam em bicicletas bem altas, como aquelas antigas, com uma imensa roda na dianteira e outra, muito menor, na traseira. Uma moça, morena bonita, se destacou, passou por ele, deu a volta, e se dirigiu em outra direção, oposta. Ele observou suas belas pernas, pois ela estava em um plano bem mais alto que ele, e o vestido dela dava ampla visibilidade. Outros ciclistas, principalmente moças, se aproximaram dela. Ela se virou e comentou alguma coisa com uma delas. Não sabia porque, tinha a impressão que ela falava algo sobre ele.
Nisto, começou a cair uma chuva fininha. Depois de alguns momentos, ele se levantou, e caminhou em direção à casa. Na volta, a distância parecia maior do que na ida. Dirigiu-se, então ao seu pai, que estava deitado em um terreno em declive, em frente à casa, embaixo da grama, apenas o seu rosto aparecia. Ele se dirigiu a ele: - Vem, pai, acorda! Está chovendo. Vem, pai! Vem, pai! Levanta! Vem!
O seu pai, sem abrir os olhos, respondeu: - Não, filho. Não vou me levantar. Vou ficar aqui mesmo.
Sabia que a sua mãe estava em algum outro lugar por ali. Mas, não deu tempo de procurá-la.
Acordou. Aos poucos, lembrou-se, então, que o seu pai falecera, há muitos anos, assim como a sua mãe.

Abilio Terra Junior
03/09/2011

 

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