caminhava ao lado de Pan
em uma agreste ilha escocesa
e das pedras nasciam verduras arbustos
e o ar vicejava e circulava airoso
e deixava seu semblante mais tenro

sentia-se útil ao escrever
e se decepcionava com os turistas que invadiam Galápagos
e a Terra se inclinava como um navio que balança
e sentia cócegas com as traquinagens dos ineptos
que se multiplicavam nas suas loucuras
e a hora chegava do badalar do grande relógio
invisível e certeiro
e tudo se acelerava como nos filmes mudos

o grande dragão sorria e soltava baforadas
e se lembrava dos primeiros tempos
quando ensinara o homem a ser homem
não estava nem aí
pois cumprira seu dever
o mesmo não diria dos seus alunos

as mulheres caminhavam nuas
e cantavam loas ao deus e à deusa
em um templo que nunca deixara de existir
desde os primórdios
escondido atrás de um promontório
e às vezes sob as águas
os homens passavam de liso
a não ser alguns eleitos
que não o sabiam
e que eram confundidos ou se percebiam confundidos

a música salvava as almas
ao lado da poesia
os mortos esperavam os vivos sentados nos seus túmulos
ou sussurravam poemas nos ouvidos dos poetas
caso entendessem do assunto
caso contrário iam beber fumar ou foder
junto com os vivos
ou dos mortos-vivos

a vida e a morte se entreolhavam
se beijavam se davam as mãos
às vezes trocavam de papéis
e se contavam piadas
pois sabiam ser tudo um jogo

Abilio Terra Junior
09/08/2009

 

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