bem lá na encruzilhada
uma sombra me esperava
um homem bem diverso
dos que se vêm por aí

vestia um terno negro
uma gravata vermelha
um chapéu de abas largas

um olhar penetrante
com um olho castanho
e outro verde
um nariz maciço

era magro e avermelhado
apontou-me seu dedo comprido
e sorriu com enormes dentes

apontou para o chão
onde se abriu uma cratera
convidou-me sutilmente

por ela descemos
em uma escada invisível
numa total escuridão
manchas de diversas cores
que conduziam à exaustão

entrei num transe
percebi que já não estava
na Terra
mas numa quimera eterna
que girava sobre si mesma

cada ser que surgia
era estranho para mim
falavam línguas antigas
nas paredes maleáveis
surgiam caracteres ambíguos

em um lago de magma
aqueles seres mergulhavam
e me convidavam

me deparei com uma nave
descomunal e orgânica

dela surgiu uma deusa
resplandecente morena e bela
se aproximou de mim
segredou-me ao ouvido

em uma língua milenar
que no entanto entendi
verdades eternas de que
nunca me esqueci

Abilio Terra Junior
20/12/2013

 

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