alvas dunas dunas claras
sedento eu as sugo
no estreito mundo
perfilo rijo meu estro

o sangue lateja tateia
no breu vermelho macio
que se abre se fecha poreja
alvo líquido que brilha

pegajoso um espelho que fala
nesse deserto imenso que pulsa
ao som dos melódicos trinados
da garganta que suga meu suco

de uma santa que se perdeu
no ocaso da bruma que se esconde
no delírio do fio da faca
do martírio da dor que confunde

espreita se deita infecta
molécula que estrebucha
feito pústula que se nega
imagino esses detalhes e me vingo

sou príncipe muito nobre
e com afinco eu a deito
nua e pura em meus braços
imensos largos descalços

acaricio seus anelos com zelo
como no dia da criação
sinto-a fremente louca
como serpente que se descobre

com dor profunda e muda
nos seus olhos cruza o mundo
num relance se reflete no céu
sentimos no inferno desse mundo

toda a glória toda a via que nos
leva a tombar juntos nesse
túmulo que nos abraça
e nos protege

Abilio Terra Junior
04/04/2010




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