abre-se uma porta
quinquilharias espalham-se
pelo vão da porta
um novo homem observa
a mulher que rola sem parar
pela noite com uma flor
ofuscante no seu ventre

a boca tenta emitir um som
mariposas evoluem
numa nuvem vertical
que ultrapassa o teto
girassóis em torno
do quarto escuro
o jazz não para
penedos vivos como águias
gritam cambaleantes

abre-se outra porta
desta vez as margaridas
reinam supremas
a mortalha se esconde
em um canto
ourives tinge de sangue
a volúpia que se abriu

a virgem negra
sorri ternamente
os sogros jogam boliche
a sentença pairou
e descreveu um círculo fechado
os dentes contam-se entre si


abre-se mais uma porta
cinco mil espectros tentam
perseguir a lua
nem todas as mulheres perceberam
o tremeluzir da estrela azul
que pousou na última manhã

o mago sorri para a pomba
negra gigante
o dinossauro tenta captar
o instante trágico que perdura

abre-se enfim a mais crespa porta
é o momento em que a onda
atinge seu ápice
e se desmorona no orgasmo
de Vênus
golfinhos traçam um plano
para submergir no oco
da minhoca sideral
o abismo grita
a plenos pulmões sua beleza
no sonho ele se torna
a mais linda morena

a rua de pedras rutilantes
consegue encontrar-se
a si mesma
num momento único
cada criança conta
do seu jeito
mas os adultos sorriem

Abilio Terra Junior
25/04/2012


[Menu] [Voltar]

Envie essa Página  

 

 

Criação de Gráficos e Páginas:
Webmaster e Designer:CrysJuan